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February 28, 2015

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Mestre Pipoca fala sobre história da capoeira Kalabar e sua importância, na capoeiragem do Rio de Janeiro.

May 7, 2010

 

 

 Por isso ou por aquilo, talvez por desconhecimento ou omissão, cometeu-se uma injustiça em não citar na historiografia da capoeiragem do Rio de Janeiro a Capoeira Kalabar que, com seu ar estilizado jamais perdeu um combate para qualquer modalidade de luta marcial, sendo todas vencidas através dos alunos e de seu criador Prof. M. Wilson Calabar, hoje com cargo de direção na Rede Globo de Televisão, do qual muito me honra de ser amigo.  E é ele que escreve sua história:

 

GRUPO CALABAR DE CAPOEIRA

 

FICHA TÉCNICA

 

Nome: Wilson Freitas Aquino (Wilson Calabar)

Data de Nascimento: 22 de novembro de 1945 

Nacionalidade: Brasileiro

Naturalidade: Rio de Janeiro

Iniciação esportiva: Judô (1955)

Primeiro Professor de Capoeira: Onça Preta (1958)

Segundo Professor de Capoeira: Paulo França (1961)

 

Ano da Fundação do Grupo Calabar de Capoeira: 1964

Ano da Fundação do Grupo Kalabar de Capoeira Estilizada: 1968

 

FOTO

Calabar, Neider, Paulo França e Bira, nomes tão ilustres quanto Sinhôzinho, na Capoeiragem do Rio de Janeiro.

 

 

HISTÓRICO

“Fala forte. Gargalha, cheira a aguardente e discute. É o capoeira”...

 

       “Encarna o espírito da aventura, da malandragem e da fraude...”


    Assim, a literatura pintava o capoeirista. Quando iniciei a prática da Capoeira, não existiam movimentos favoráveis a prática de esportes em geral como hoje em dia. As lutas mais conhecidas eram; Judô, Jiu-Jitsu, Luta Livre, Boxe Inglês e Capoeira. 

 

   Na Capoeira, poucos eram os Mestres capazes de dar algum conhecimento enriquecedor fora as “porradas e malandragens”. Porradas e malandragens eram os pontos fortes dos ensinamentos da grande maioria. Era comum rodas de capoeira terminarem com feijoadas, cerveja e cachaça. Iniciei minha aprendizado assim. Com o Mestre Paulo França - que curiosamente, não vejo registros de sua importante passagem e contribuição, fui apresentado ao outro lado da Capoeira. O lado da cultura, da pesquisa e organização.

 

    Não existiam programas claros de formação para os atletas. Você ia treinando e “virava professor”. Os golpes não eram classificados. Cada grupo apelidava ao seu jeito. Não existiam também, programas de aulas, uniformes, guia de conduta etc. Haviam iniciativas isoladas na luta heróica para organizar, desenvolver e tirar a Capoeira do limiar da marginalidade.

 

 1964. Criado o Grupo Calabar. A primeira preocupação foi com a organização. Ao chegar ao grupo, o aluno entendia de forma clara, os caminhos que poderiam levar a sua formação. O grupo tinha seu próprio uniforme, marca e sistema de classificação (graduação). Uma pequena fita, presa do lado direito, na cintura, medindo 3cm de largura por 25cm de comprimento, classificava através de código de cores, o estágio do atleta. Como símbolo, por golpear com as pernas tal qual o capoeirista, um galo de briga sobre fundo vermelho. O galo significa o combatente, o guerreiro. O vermelho, vida, energia.

 

    Os golpes foram desmembrados e classificados de forma a melhorar a compreensão do aluno e permitir a organização dos planos de aulas. Por exemplo; - os desequilibrastes que eram 8 ou 9 passaram a ser classificados em 20. Necessário porque, uma banda aplicada de frente, apesar do movimento similar ao de um passa pé, exige feixes musculares, equilíbrio e coordenação diferenciados. Alem de, um somente desequilibrar, o outro poderá desequilibrar e traumatizar simultaneamente.
 

     1968, Com o objetivo de voltar dotar o capoeirista de recursos que o colocaria em condições de igualdade com qualquer outro tipo de luta em combate real, tal como nos tempos do antigo estilo onde os negros realmente lutavam com potentes chutes, joelhadas e tapas que mais pareciam socos – o BATUQUE, Calabar criou um método que inseria na Capoeira técnicas de potencialização dos impactos na aplicação dos golpes. Surgia o Grupo Kalabar de Capoeira estilizada. Sua base portanto, foi a raiz da Capoeira praticada pelos antigos que teve de ser “escondida” pela dança. A Capoeira tradicional continuava como apoio histórico, e como treinamento das gingas, flexibilidade e dos movimentos acrobáticos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mestre Kalabar, 

iniciando o  "Pulo do macaco"  e executando o "Pulo do macaco", como assim outrora era chamado, hoje simplesmente "Macaco".

 

 

 

Esteia-se a Capoeira Kalabar em quatro pontos básicos:

- Esquivas justas

- Contragolpes imediatos 

- Aumento da potência dos golpes

- Objetividade

 

E em técnicas complementares tais como:  Ginga curta, deslocamentos rápidos, atrair e direcionar o atacante, fintas, controle da distância e o domínio do ambiente de combate.

 

Nesta época, somente no Ginásio Neyder, Rua Voluntários da Pátria, ensinava-se um estilo de Capoeira destinada a defesa pessoal. Para a “briga de rua”. A Capoeira de Sinhô. A continuidade deste estilo, ficou por conta de Bira, o principal aluno de Neyder.

 

 O estilo Kalabar passou a ser duramente criticado. Ninguém aceitava uma Capoeira com socos, joelhadas, cotoveladas, golpes em linha etc. Mas, quando Valdo Santana (lutador de Luta Livre e Boxe Inglês), chegou ao Rio de Janeiro e pelos jornais lançou o desafio “a qualquer capoeirista” imediatamente, Kalabar foi procurado por um grupo de professores, entre eles mestre Preguiça, e foi eleito “legítimo representante da Capoeira no Rio de Janeiro”. Muito estranho. Mas, como de qualquer forma iria aceitar o desafio, a intenção de lutar foi formalizada.

 

 

Mestre Kalabar, 

executando uma

meia-lua de compasso. 

 

 

Mestre Kalabar, 

em posição de guarda.

 

 

 

 

 

 

O Grupo Kalabar sistematicamente, era “visitado” por outros grupos que utilizavam desculpas de batismos ou festejos, para testá-lo. Nenhum “visitante” saiu-se bem. O mais surpreendente foi o do convite cordial (deveria ser) que recebi para inauguração da academia do mestre “Caixote”, no leme - Avenida Princesa Isabel. Nesta roda inaugural o jogo foi duro, o ritmo do berimbau e das cantigas, desrespeitados. Nada tinham a ver com os golpes violentos que eram desferidos contra mim. Ficou claro que a intenção não era das melhores. Fiquei como alvo principal e os jogadores iam sucedendo-se. Quem esta lendo agora e esteve lá sabe como foi e sabe também, que mais uma vez o estilo Kalabar provou seu valor em combate.

 

     Lutadores de outros estilos também aventuraram-se. Era comum(!!?) na época. Mas, destes, apenas de dois acredito que não conseguiria vencer. Apesar de não termos realizado combates reais, apenas treinos pesados, por avaliação baseada na experiência de vários confrontos, considero que não os venceria. São eles; - Fernando Torres, dono do Ginásio Samurai em Copacabana, lutador de Jiu-Jitsu e Judô além de muito bom nestas disciplinas, era rapidíssimo na aplicação de traumáticos. E Ivan Gomes, lutador profissional de Vale-Tudo, com altíssima capacidade de absorver golpes e impressionante flexibilidade e agilidade apesar dos seus 120kg.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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